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Copom mantém a Selic em 13,75%: o que muda no financiamento imobiliário
O Copom manteve a Selic em 13,75% ao ano em 4 de novembro de 2026, depois de cinco cortes seguidos. Para quem financia imóvel, a mudança maior veio antes: no fim de outubro, Bradesco, Itaú e Santander subiram os juros mínimos do crédito imobiliário.
Resumo rápido
- A Selic ficou em 13,75%, e o comunicado não indica quando os cortes podem voltar.
- As taxas mínimas anunciadas subiram: Santander 12,49%, Itaú 12,95% e Bradesco 15%, todas mais TR.
- No exemplo de R$ 500 mil em 30 anos, a alta do Santander soma R$ 300 à primeira parcela.
- O SBPE caiu em setembro, mas acumula alta de 30,3% no ano.
O que o Copom decidiu
Na 282ª reunião, encerrada em 4 de novembro de 2026, o Copom manteve a Selic em 13,75% ao ano[1]. A decisão interrompe uma sequência de cinco cortes seguidos: a taxa estava em 15% até março e caiu aos poucos até setembro[2].
O comunicado cita um ambiente externo mais adverso, com efeito sobre o preço do petróleo, e inflação acima do limite do intervalo de tolerância da meta. Também aponta atividade econômica em moderação e mercado de trabalho com sinais de desaquecimento[1].
| Projeção ou expectativa | 2026 | 2027 |
| Expectativa de inflação (Focus) | 5,2% | 4,8% |
| Projeção de IPCA do Copom | 5,6% | 4,7% |
O texto não indica quando os cortes podem voltar. Ele diz apenas que o comitê seguirá acompanhando o cenário e fala em "serenidade e cautela"[1].
Os bancos já tinham subido antes da decisão
Para quem financia imóvel, a principal mudança veio dias antes do Copom. Bradesco, Itaú e Santander elevaram os juros mínimos do crédito imobiliário no fim de outubro[3].
| Banco | Taxa mínima anunciada | O que mudou |
| Santander | 12,49% ao ano + TR | Antes, 11,69%. Vale desde 30 de outubro |
| Itaú | 12,95% ao ano + TR | Cerca de 1 ponto acima da anterior |
| Bradesco | 15% ao ano + TR | Antes, 11,7% |
Até a publicação da reportagem, havia no mercado a informação de que o Bradesco poderia reduzir parte do aumento, sem confirmação do banco. Por isso, a taxa de cada banco precisa ser conferida na data da proposta[3].
Os bancos ligaram a alta ao mercado de juros futuros, que subiu depois do segundo turno das eleições e encareceu a captação. Parte dessa alta já cedeu nos pregões seguintes[3].
Por que a Selic parada não segura o juro da casa própria
A Selic não define sozinha a taxa do financiamento. O custo também depende de onde o banco busca o dinheiro que empresta, como a poupança e as Letras de Crédito Imobiliário[7].
Essa fonte está mais apertada. A poupança do SBPE perdeu R$ 6,19 bilhões em setembro, o quarto mês seguido de saída, e acumula R$ 53,22 bilhões negativos no ano[6].
Em maio, a Abecip já avaliava que famílias de renda média e alta poderiam precisar de entrada maior e de uma parcela financiada menor[7].
Quanto cobravam os bancos antes das altas
As médias de setembro do Banco Central mostram como as taxas já variavam de banco para banco. Elas não incluem a TR nem custos como seguros[4].
| Banco | Taxas reguladas | Taxas de mercado |
| Caixa | 7,98% | 12,05% |
| Inter | 9,66% | 12,91% |
| Banco do Brasil | 10,61% | 14,49% |
| Bradesco | 11,77% | 12,24% |
| Santander | 11,85% | 12,31% |
| Itaú | 11,87% | 12,14% |
Essas médias não se comparam diretamente com as taxas mínimas da tabela anterior. A média reúne contratos de perfis e linhas diferentes, enquanto a mínima é o menor valor anunciado.
Quanto pesa na parcela
Um exemplo com a alta do Santander, de 11,69% para 12,49%. Considere R$ 500 mil financiados em 30 anos, pela tabela SAC, sem TR, seguros ou taxas.
| Taxa ao ano | Primeira parcela | Renda, se a parcela for 30% dela |
| 11,69% | R$ 6.016,72 | R$ 20.056 |
| 12,49% | R$ 6.316,94 | R$ 21.057 |
São R$ 300 a mais na primeira parcela e cerca de R$ 1.000 a mais na renda exigida nesse cenário. A conta é só matemática: a simulação do banco traz os custos reais de cada cliente.
O crédito desacelerou, mas o ano segue forte
O SBPE financiou R$ 13,62 bilhões em setembro, queda de 19,7% sobre agosto e de 13,7% sobre setembro de 2025. Foram 34,9 mil imóveis, 24,4% a menos que um ano antes[5].
No acumulado de janeiro a setembro, o volume chega a R$ 146,1 bilhões, alta de 30,3% sobre o mesmo período de 2025. Os números são anteriores às altas de outubro, então ainda não mostram o efeito delas[5].
Os preços seguem subindo, em ritmo moderado. Em outubro, o FipeZAP de venda subiu 0,48% no mês e 5,44% em 12 meses. Em São Paulo, a alta foi de 0,40% no mês e 3,59% em 12 meses, com metro quadrado médio de R$ 12.254[8].
O que muda na conversa do corretor
- Refaça as simulações antigas. Quem simulou antes do fim de outubro precisa refazer a conta com a taxa atual.
- Compare mais de um banco. A diferença entre as taxas mínimas anunciadas chega a mais de 2,5 pontos.
- Não prometa queda de juros. O Copom não indicou o próximo passo. Fale do que está valendo hoje.
- Olhe a entrada junto com a taxa. Uma entrada maior reduz o valor financiado e, com ele, a parcela.
- Retome quem esfriou. Um cliente que parou por causa da parcela pode voltar com outra faixa de preço ou outra entrada. Com o histórico no CRM, dá para saber quem procurar e o que já foi conversado.
Perguntas frequentes
A decisão do Copom muda o meu contrato de financiamento?
Em geral, não. O contrato já assinado segue a taxa e o indexador previstos nele. O que muda são as condições oferecidas em novos financiamentos. Confira as cláusulas do seu contrato.
Se a Selic ficou parada, por que os bancos subiram os juros?
Porque o custo do banco também depende de como ele capta o dinheiro. Bradesco, Itaú e Santander ligaram a alta ao mercado de juros futuros, que subiu depois do segundo turno das eleições.
Qual é a Selic hoje?
13,75% ao ano, mantida pelo Copom em 4 de novembro de 2026.
O que significa "+ TR" na taxa do financiamento?
Significa que, além dos juros anunciados, o saldo devedor é corrigido pela Taxa Referencial. Por isso, o custo total pode ficar acima da taxa anunciada.
Os juros do financiamento vão cair?
Não dá para afirmar. O comunicado do Copom não indica o próximo passo da Selic, e a taxa de cada banco depende também do custo de captação.
Fontes
- Banco Central do Brasil. Comunicado da 282ª reunião do Copom, 4 de novembro de 2026.
- Banco Central do Brasil. Histórico das taxas de juros.
- Portas. Bradesco, Itaú e Santander aumentam juro de financiamento imobiliário, 29 de outubro de 2026, atualizada em 30 de outubro.
- Banco Central do Brasil. Taxas de juros de operações de crédito, financiamento imobiliário, setembro de 2026.
- Abecip. Boletim Data Abecip, setembro de 2026.
- Portas. Poupança do SBPE: saque desacelera em setembro, 9 de outubro de 2026.
- Portas. Selic alta deve manter juros do financiamento imobiliário perto do teto de 12% em 2027, diz Abecip, 20 de maio de 2026.
- Fipe e Grupo OLX. Índice FipeZAP de Venda Residencial, informe de outubro de 2026.
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